O ácido fórmico (HCOOH) é um dos reagentes mais importantes nos curtumes brasileiros. Utilizado nas etapas de píquel, curtimento ao cromo e acabamento, ele regula o pH da solução de trabalho com precisão, garantindo a penetração uniforme dos agentes curtentes na estrutura da pele e a fixação adequada do cromo trivalente. É também amplamente usado como conservante de peles brutas antes do beneficiamento.
O Que É o Ácido Fórmico
O ácido fórmico, de fórmula HCOOH, é o menor ácido carboxílico da série. Líquido incolor de odor pungente, com ponto de ebulição de 100,8°C e miscibilidade completa em água. É comercializado em concentrações de 85% e 90%. Apesar de orgânico, tem acidez próxima à de ácidos minerais moderados, com pKa de 3,75 — o que o torna ideal para ajustes de pH fino em processos de couro, onde a precisão é fundamental para a qualidade do produto final.
Etapas do Curtimento em que o Ácido Fórmico é Usado
1. Conservação de Peles Brutas
Antes do curtimento, peles frescas ou salgadas podem ser conservadas com ácido fórmico em concentrações de 0,1% a 0,5%, que inibem o crescimento bacteriano e retardam a degradação proteica. Essa técnica é especialmente útil quando há intervalo entre o abate e o processamento.
2. Píquel
O píquel é o processo de acidificação das peles antes do curtimento, com objetivo de baixar o pH do colágeno a 2,8–3,2, preparando-o para receber os sais de cromo. O ácido fórmico é usado em combinação com cloreto de sódio nessa etapa, muitas vezes em conjunto com ácido sulfúrico. Sua ação mais suave em relação ao ácido sulfúrico reduz o risco de corte ácido (hidrólise excessiva das fibras de colágeno).
3. Curtimento ao Cromo
Durante o curtimento com sulfato básico de cromo, o ácido fórmico é adicionado gradualmente para baixar o pH de 4,0 até 3,5, promovendo a penetração dos sais de cromo no interior da pele antes da basificação final. Esse controle gradual é chamado de “oferta de ácido” e é crítico para a uniformidade do curtimento.
4. Fixação e Recurtimento
Após o curtimento principal, o ácido fórmico é usado para ajustar o pH na etapa de fixação de corantes e graxas, garantindo a ancoragem adequada dos produtos de acabamento na fibra de couro curtida.
Vantagens do Ácido Fórmico no Curtume em Relação a Outros Ácidos
Ação tamponante: a natureza carboxílica do ácido fórmico confere capacidade tamponante que suaviza as variações de pH no processo, resultando em couro mais uniforme.
Menor risco de corte ácido: em comparação ao ácido sulfúrico, causa menos hidrólise das fibras de colágeno quando bem dosado.
Biodegradabilidade: é metabolizado naturalmente em efluentes tratados, facilitando o tratamento de águas residuais do curtume.
Compatibilidade com sistemas de cromo: não precipita os sais de cromo trivalente em concentrações de processo normais.
Ácido Fórmico como Conservante em Outras Indústrias
Além do curtume, o ácido fórmico tem aplicação relevante como conservante em silagem de forragens (conservação de milho, capim e outros volumosos para alimentação animal), como bacteriostático na indústria têxtil (tingimento de lã e poliamida) e como intermediário na síntese de ésteres formatos usados como aromatizantes.
Cuidados no Manuseio
O ácido fórmico é inflamável (ponto de fulgor 69°C) e corrosivo. Causa queimaduras na pele e mucosas e seus vapores são irritantes para o trato respiratório. O manuseio exige luvas de nitrilo, óculos de proteção ampla, avental impermeável e, em ambientes fechados, uso de máscara com filtro para vapores orgânicos.
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Ácido Fórmico em Curtumes
Qual a diferença entre ácido fórmico 85% e 90% para uso em curtumes?
A escolha depende da logística e do processo. O produto a 90% exige menos volume para a mesma dosagem, o que reduz custos de frete, mas requer mais cuidado no manuseio. O produto a 85% é mais comum no mercado e adequado para a maioria dos processos de curtimento.
O ácido fórmico pode substituir totalmente o ácido sulfúrico no píquel?
Em parte dos processos, sim. O uso exclusivo de ácido fórmico no píquel é praticado por alguns curtumes que buscam menor agressividade às fibras. Porém, pela diferença de custo, a combinação ácido fórmico + ácido sulfúrico ainda é a mais utilizada no Brasil.
Qual o pH ideal no píquel com ácido fórmico?
O pH alvo no píquel varia entre 2,8 e 3,2, dependendo do tipo de pele e do sistema de curtimento. Valores abaixo de 2,5 aumentam o risco de corte ácido; valores acima de 3,5 reduzem a penetração dos sais de cromo.
Conclusão
O ácido fórmico é um insumo de precisão nos curtumes: controla o pH em etapas críticas do beneficiamento de couro, melhora a uniformidade do curtimento e contribui para a qualidade do produto final. A Alquimia fornece ácido fórmico em concentrações de 85% e 90% com rastreabilidade de lote, laudo de qualidade e suporte técnico para processos de couros bovinos, suínos e ovinos.












